"Não quero
a boa razão
das coisas.
Quero
o feitiço das

palavras."

Manoel de Barros

20/07/2011

"Como é grande o meu amor por você!"

    Não gosto do Dia do Amigo... Amo AMIGO todo dia!

    Não quero lembrar de você - AMIGO - só nesse dia...
    Quero lembrar de você - AMIGO - ontem (os velhos amigos), hoje (os que estão chegando) e amanhã (os que entrarão pela porta aberta do meu coração)...

    ... AMIGO:

    Sinto saudade dos que se foram ou se embaralharam no meio da caminhada.
    Sinto vontade de abraçar os que estão longe ou se perderam nas inconsequências da vida.
    Sinto desejo de conversar sério, de papear bem no estilo 'conversa fora', de silenciar, de escutar você, de que você se cale e de que você me escute ou, nada disso, sinto desejo de sermos amigos.

Quero o sincero perdão
E quero a você perdoar
Quero o seu belo sorrisão
E quero com você gargalhar
Quero deter seu ‘chorão’
E quero com você chorar
Quero inspirar uma canção
E quero com você cantarolar


    Quero com você conjugar – Em todos os momentos, circunstâncias, em qualquer lugar – A verdade e a essência do verbo AMAR!


    Psiu! ...Quero deixar de lado – um pouquinho que seja – as postagens no blog, no Orkut, no Facebook, no Twitter, o celular... Buscar vários papéis de carta pautados, sem pauta, coloridos, branquinhos, enfeitados... Aquela caixa de lápis de cor guardada no fundo da gaveta, do lado do estojo das canetinhas coloridas; canetas (que pena – não tenho mais pena e tinteiro); lapiseiras e,

    Escrever pra você! Postar como carta simples, com a maior simplicidade! E declarar...


“Como é grande o meu amor por você!”


    Ah, se precisar vou encontrar a minha ‘porquinha-cofrinho’, sacudi-la até cair as últimas moedinhas e correr pra agência dos correios mais próxima.


A

M

I

G

O


15/07/2011

DIA DO HOMEM

Hoje é dia do Homem
Do homem Ser?
Do Bicho Homem?
Sei não - muito prazer!

Se você vem  bem humorado
Vem  logo - é chegada a hora!
De mau humor, tá dispensado
Não precisa chegar - to fora!

Homem - se hoje é seu dia
A noite será de belo luar!
Vem logo - sem covardia
Vem leve - me namorar!

Amanhã será outro tempo
O sol vai nos despertar!
Será um novo momento
Pra viver o verbo amar!

Homem em qualquer dia
Homem num dia qualquer!
Encante-me com alegria
Vou desfolhar o bem-me-quer!

Ana M M Pereira
15/07/2011

10/07/2011

Com Noel na Casa Moro - 'palpite' pra lá de feliz!

     Por ocasião do centenário de Noel Rosa (11 de dezembro de 2010), a Litteris Editora lançou o concurso NOEL ROSA em POESIA.

     Saudade?
    de Noel!!!!


Um desejo?

Estamos Esperando
 = Noel Rosa (1932) =

"Estamos esperando
Vem logo escutar
O samba que fizemos pra te dar
A rua adormeceu
E nós vamos cantar
Aquilo que é só teu
Que nos faz penar
Da tua voz tirei a melodia
E a harmonia eu fiz com teu olhar
Já estava perdendo a paciência
Quando roubei a cadência
Do teu modo de pisar
(Chega à janela...)
E este samba que fiz de parceria
Depois de feito não é dele nem é meu
Escuta o violão que está gemendo
Tuas cordas vão dizendo
Que este samba é só teu
(Até amanhã...)"

    Noel é Poesia... Melodia... Paixão... Boemia... Samba de primeira... Fossa e Ironia!

Monumento Noel Rosa, inaugurado em 22/03/1996, no bairro de Vila Isabel - terra de Noel! 
Noel aparece sentado numa cadeira de bar, com seu habitual cigarro entre os dedos, uma garrafa de cerveja e um copo sobre a mesa. Ao lado dele, uma cadeira vazia, convidando o visitante a senter-se para uma foto.   A paixão de Noel: Cigarros, Cerveja e Música. Em pé, ao seu lado, o garçom (fisionomia do pai) serve Noel. Sobre a mesa está uma lauda, também em bronze, com a letra do samba "Conversa de Botequim". A estátua é do escultor brasileiro Joás Pereira Passos.

Conversa de Botequim
= Noel Rosa / Vadico =
"Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada,
Um pão bem quente com manteiga à beça,
Um guardanapo e um copo d'água bem gelada.
Feche a porta da direita com muito cuidado
Que eu não estou disposto a ficar exposto ao sol.
Vá perguntar ao seu freguês do lado
Qual foi o resultado do futebol.
Se você ficar limpando a mesa
Não me levanto nem pago a despesa.
Vá pedir ao seu patrão
Uma caneta, um tinteiro,
Um envelope e um cartão.
Não se esqueça de me dar palitos
E um cigarro pra espantar mosquitos.
Vá dizer ao charuteiro
Que me empreste umas revistas,
Um isqueiro e um cinzeiro.
Telefone ao menos uma vez
Para três quatro, quatro, três, três, três
E ordene ao seu Osório
Que me mande um guarda-chuva
Aqui pro nosso escritório.
Seu garçom me empresta algum dinheiro,
Que eu deixei o meu com o bicheiro.
Vá dizer ao seu gerente
Que pendure esta despesa
No cabide ali em frente.
Seu garçom, faça o favor de me trazer depressa..."

     Na última sexta-feira (08/07/2011) os autores selecionados foram convidados, pela Litteris, a festejar NOEL no lançamento da Antologia Literária. Foi uma noite de recital, música, autógrafos, muitos abraços, fotos e alegria na Casa Moro - Café & Cultura.


    "Noel Rosa, Noel da Vila Isabel, Noel do Rio de Janeiro, Noel do Brasil... Noel, poeta da Vila e da Vida. De todos nós". Autores de todo o Brasil estão presentes em "NOEL ROSA em POESIA. Poucos estiveram no lançamento - fisicamente, mas todos presentes em versos de puro sentimento. Alguns títulos: "Biografia", "Versos Quebrados de uma Verdade Inteira", "Quanta Saudade", "Convida-me - Eu Vou!", "O Feitiço de Noel Rosa", "Com que Roupa", "Uma Rosa Especial", "Rima Perfeita", "Virou Samba"...
Casa Moro - Café & Cultura: Pça André Rebouças, 9 / Tijuca "pertinho da Vila de Noel"
Sandra Serrado & André Henriques cantando Noel
 
Meu momento "Convida-me - Eu Vou!"

Autores entre Artur Rodrigues e Deucimar Cevolela - Editor Geral e Editor de Produção da Litteris
Artur Rodrigues entre 'mulheres que amam Noel'
     Convida-me - Eu Vou!
= Ana M M Pereira =

É festa na Vila do Céu
A orquestra já vai começar.
Pelo centenário de Noel,
Os Anjos se põem a cantar!

Aqui em Vila de Isabel,
A festa é feitiço de bamba,
Porque a Vila é do Noel
Rosa que vira samba!

Todo dia, de mansinho,
Chega sem ser convidado.
                                      Na mesa de bar faz seu ninho,
Ao garçom pede a caneta
                                  E manda recado ao vizinho:

Ouça o som do bandolim,
Sorva as gotas da imaginação
Um tiro certeiro - de festim
Acerta, pra sempre, meu coração

Não satisfeito com uma só vida,
Vive da palavra e não sabe o que diz.
Intenso, tenso, sem medida
Da música um eterno aprendiz!

De mansinho, de nota em nota,
Vem chegando a passista,
Vem a baiana e dá meia volta,
Fita o boêmio e a corista.

O asfalto vira pista,
O céu de estrelas é seu manto,
A Vila homenageia o sambista
Noel, poeta do pranto.

Do pranto de quem vacila
Quem, de paixão, é bacharel
Por Isabel, muda da Vila,
Desfolha a rosa e grita:
                       NOEL!

Noel, poeta perene,
Homem jovem de alma imortal,
Espera que meu pranto serene:
Convida-me, é carnaval!

Se Noel me convidar
                    Pra com ele compor e rimar
                                              Com que roupa?
                                                                       Não sei.
                                                                                                      Eu vou!

  
     No deck da 'Casa Moro - Café & Cultura'... Em noite de Noel - uma mesa no canto... 'Bateu saudade' e peço licença pra cantar essa saudade com a canção "Naquela Mesa" - uma declaração de saudade de Sérgio Bittencourt para seu pai - Jacob do Bandolin:

 Naquela Mesa
= Sérgio Bittencourt =


"Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre, o que é viver melhor.
Naquela mesa ele contava histórias,
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor.

Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã.
E nos seus olhos era tanto brilho,
Que mais que seu filho, eu fiquei seu fã.

Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa no canto, uma casa e um jardim.
Se eu soubesse o quanto doi a vida,
Essa dor tão doída não doía assim.

Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguem mais fala no seu bandolim.
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim."

'Calçada Musical' - Vila Isabel - Rio de Janeiro / RJ
"...Eu já chamei você pra ver / Você não viu porque não quis / Quem é você que não sabe o que diz?..." - Noel Rosa e Araci de Almeida em PALPITE INFELIZ!


= = = =

29/06/2011

O mundo encantado da literatura infantil e juvenil ou A Festa ou Salão FNLIJ 2011

    Na década de 60 comecei a viajar pelo mundo encantado das letras, palavras, cores e sentimentos – magia em verso, prosa, contos, romances...
    Fui ao "Sítio do Pica-Pau Amarelo" de Monteiro Lobato! Quis ser Emília com suas idéias independentes e ter uma avó como dona Benta – ‘será que o país da gramática é muito longe?’
    Fui ao "País das Maravilhas" de Lewis Carroll – “para que serve um livro”, pensou Alice, “sem figuras nem diálogos?”
    Naufraguei com o pequeno gigante "Gulliver" e fui parar na Ilha de Lilliput.
    Sempre achei que a "Enciclopédia Barsa" era um planeta do tamanho da Terra!
    No "Meu Pé de Laranja Lima", de José Mauro de Vasconcelos - assim como Zezé – aprendi que as árvores também falam e sentem!

Cada página uma nova viagem...
Cada viagem, uma nova descoberta; 
cada descoberta, um novo desejo
e assim o tempo passou...

    Fiz tantos amigos: J. G. de Araujo Jorge – “... quem espera desespera e às vezes a alma se cansa, mas meu amor que é como era, espera e não desespera, de que volte a primavera e com ela volte a esperança...” "Ou Isto ou Aquilo" – a eterna dúvida que Cecília Meireles implantou na minha fantasia!... Muitos "Anos Felizes" - Laura Ingals Wilder!


    Cresci, amadureci e permaneci a sonhar – um sonho que não vai terminar... Com o nascimento de minha filha – na década de 80 – a viagem já tão mais séria, tão mais em branco e preto, voltou a colorir-se: "O Reizinho Mandão" mostrou-me os caminhos de Ruth Rocha. Refiz alguns roteiros guardados na memória: Ana Maria Machado ajudou nossas viagens com "Cabe na Mala". Lygia Bojunga Nunes e sua "Bolsa Amarela" com segredos que também eram nossos...


    Outro dia – outros dias mais recentes, uma contadora de histórias e amiga da modernidade – redes sociais virtuais - convidou-me para uma nova viagem... Entrei no 13º Salão da FNLIJ sem grandes pretensões, afinal ‘só’ fui caminhar por uma avenida colorida, mágica, lotada de seres infantis e seus sonhos... Ou, por assim dizer, saber o que andam escrevendo por aí – lá e acolá – e, quiçá, pensar numa nova viagem para quando um/uma netinho/netinha chegar...




    Na recepção encontrei o senhor José Henrique (quem escolheu e contratou esse ser simpático, gentil e sorridente – o ‘cartão-postal’ do Salão FNLIJ 2011, estava poeticamente inspirado).
Sr. José Henrique
Minha amiga, lá do Recife, ama e tece girassóis – Renata Holanda (se confunde com a história do Brasil / invasão holandesa...!?!?). Nada por acaso minha primeira parada foi no estande da ZIT Editora, indicado por Renata: um estande da cor do sol e do girassol! Pessoas cativantes – Patrícia Melo, Tereza Monteiro, Maristela, Ivan e a turminha do estande: Ana Lidia, Fabiana, Mauro...
 
      
        Mauro, Fabiana, Tereza, Ana Lídia, Ivan

Tereza, eu e Maristela


eu e Patrícia Melo e os bottons do Tecer Geirassóis e LER ou não SER

Ler é divertido como brincar!

... e Ler é legal!!!!
Viajando no mundo encantado da literatura da ZIT Editora
lançamentos, abraços, fotos, autógrafos e dedicatórias 


Rogério Andrade Barbosa autografando
"NEM UM GRÃO DE POEIRA - Reconto da Etiópia"
ilustrado por Rubem Filho.



Sandra Ronca - ilustradora de
"Por quê? Por quê? Por quê?", de Flávia Côrtes, eu e
Felipe Vellozo - ilustrador de "História de Dois Lados", de Luís Pimentel


 Anielizabeth - ilustradora de
"Que Dia é Hoje / Um, Dois, Feijão com Arroz" 
texto de Sandra Pina
Letícia Sardenberg - doce autora de
 "Minissaia, batom e futebol" e
sua musa inspiradora
ilustrado por Ana Raquel
"Avó com cheiro de pão caseiro"
Zé Zuca (autor) e Marília Pirillo (ilustradora)


Fábio Sombra e Sérgio Penna "Duas Festas de Ciranda"
Fábio Sombra - escritor e alegre violeiro!


E a viagem continua...
Entrando na ‘terra encantada’ da RHJ Editora:

Alex Gomes e Cris Alhadeff lançando
"FESTA DO CALENDÁRIO" 

 escrito por ele e ilustrado por ela



Numa parada pra tomar fôlego encontrei
Eurídice Barroso da WMF Martins Fontes 
mais uma deliciosa experiência


E outras delícias:
Cristina Villaça
e seu “Viva Eu, Viva Tu, Viva o Rabo do Tatu!”  - Escrita Fina

Fabrício Carpinejar
lançando "A Menina Superdotada"


As portas do Salão FNLIJ 2011 fecharam
As palavras e a magia teimam permanecer
As pessoas que no meu coração entraram
Essas... Quero pra sempre... No meu viver

Quero mais... Mais! Ah, como quero
E Sei que posso continuar a sonhar
Quero e tranquilamente espero
Nos próximos sonhos te encontrar!

Bem vindos sejam ao meu viver
Beijão carinhoso
Abraço dengoso
Ana - LER ou não SER

 

25/05/2011

10 passos para ser feliz...
Matéria da Revista Bons Fluídos - Editora Abril [Carla Leirner e Melissa Diniz]
    A vida é feita de altos e baixos e a sabedoria está em saber navegar nessas ondas sem perder o rumo e a alegria de viver. Segundo a escritora americana Gretchen Rubin, autora do livro Projeto Felicidade (Editora Best-Seller), a felicidade se constrói dia a dia, minuto a minuto, onde quer que você esteja e com quem esteja. Portanto, nada de projetos inalcançáveis ou sonhos impossíveis.
    ... Você pode montar seu próprio projeto de felicidade. Para isso, basta ter foco e muita paciência. Veja a seguir os dez passos iniciais para ser mais feliz.

1º passo: bye bye, preguiça!


    Se você é daquelas que se cansam só de pensar em fazer algo novo, está na hora de mudar de atitude. O veneno da preguiça nos impede de fazer coisas simples, como caminhar perto de casa, até planos mais complexos, como um curso de pós-graduação. O resultado de se render a ela é a estagnação. Para a psicóloga e coach Iraceles Pires, de São Paulo, a preguiça pode indicar falta de definição na vida. "É característica de quem não consegue se decidir sobre qual caminho seguir ou ainda não parou para pensar no que ganha e no que perde ao tomar uma decisão. Decidir-se é comprometer-se com algo", diz.
    Na visão da especialista, combater esse sentimento exige esforço, mas traz inúmeras recompensas: "É necessário re-significar cada oportunidade e observar tudo o que se deixa de ganhar ao ficar parado ou ao adiar uma ação". Para Maria Helena Saleme, psicanalista, de São Paulo, vencer o marasmo é sair da zona de conforto e experimentar o novo, sempre com muita coragem.

2º passo: ficar de bem consigo mesma


    Sim, todas nós cometemos deslizes e isso não nos torna piores do que ninguém. "O erro é o caminho do acerto. Se caio sete vezes, levanto-me oito", diz a monja Coen, da Comunidade Zen Budista de São Paulo. E completa: "É preciso enxergar nos percalços oportunidades de aprendizado. Portanto, viver implica estar sujeito a errar. A diferença é que, notando o erro, eu me arrependo, procuro entender as causas que me levaram a agir assim e modifico meu comportamento".
    Para Iraceles, quando não entendemos a falta de acerto como parte do processo de aprendizado, tendemos a nos sentir culpadas: "Esse sentimento é a parte da consciência humana que nos julga e condena. A autoaceitação é a chave para realizar mudanças positivas. Portanto, para se livrar da culpa é necessário perdoar-se, reavaliar os próprios padrões de exigência e romper os contratos que efetivamos no passado".

3º passo: colocar um pouco de espiritualidade em sua vida



    Você não precisa ter uma religião, nem mesmo a crença em um Deus único e poderoso, para cultivar a espiritualidade. Você pode simplesmente acreditar na vida, na força que nos move ou ainda na noção de que todas nós fazemos parte de um todo maior. "Conectar-se com algo superior amplia nossa mente e nos dá a sensação de acolhimento", afirma Iraceles. Ao que completa a monja Coen: "Quando cultivamos a espiritualidade passamos a entender a transitoriedade de tudo. Se hoje estou feliz, sei que essa alegria não irá durar para sempre, então não deixo que ela suba à minha cabeça. Se estou triste, amanhã posso não estar mais, portanto, não me desespero, porque sei que tudo se encadeia".

4º passo: resgatar velhos hábitos que a faziam felizou inventar novos


    Recordar momentos felizes pode ser uma boa saída para aquela época em que a vida parece sem graça. Sabe quando você andava de bicicleta sentindo o vento bater no rosto? E quando tinha tempo para tudo e nenhuma preocupação? "Todas as emoções são guardadas em nosso cérebro como uma fita gravada e podem ser tocadas a qualquer momento, se o estímulo certo for acionado. Esse recurso deve ser utilizado para nos motivar a entrar em ação, desde que não se perca o foco no presente", diz Iraceles.
    Para a psicanalista paulista Maria Helena, resgatar nosso lado infantil pode ter suas vantagens, porém, ela não acredita em uma fórmula para a felicidade. "Ir atrás das coisas que nos dão prazer é sempre positivo, mas mais importante é combater a cultura da felicidade obrigatória em que vivemos hoje. Permita-se, de vez em quando, conviver com a dor, pois é nela que descobrimos quem realmente somos para que possamos ser mais felizes amanhã", afirma.

5º passo: cortar atitudes que não façam bem a você


    Tão difícil quanto incorporar um novo hábito saudável é nos livrar dos péssimos arraigados em nossa rotina. Sim, isso vale para coisas mais óbvias como o cigarro, a preguiça, o excesso de álcool e a alimentação desregrada. Mas também para práticas nocivas que corrompem nosso lado emocional. Por exemplo? Reclamar é uma delas. Afinal, esse vício nos impede de enxergar o lado mais divertido do dia a dia e nos transforma numa pessoa maçante. "Quando manifesto minha gratidão pelo que a vida me proporciona de bom e de ruim, deixo de sofrer a cada minuto. O mundo muda quando você começa a agradecer em vez de reclamar", afirma a monja Coen.
    Um bom começo é tentar identificar as atitudes que não trazem nada de bom e se perguntar quais valores elas agregam. Na falta de resposta, melhor partir para outra.

6º passo: dormir mais horas


    Tem gente que acha o sono perda de tempo. Ainda tem a turma plugada na tomada que simplesmente não consegue parar e aquelas que lutam ferozmente contra a insônia. Segundo dados da Sociedade Brasileira do Sono, estima-se que quase metade da população brasileira enfrente algum tipo de dificuldade para ter um sono reparador. Os resultados dessa privação são muitos, vai desde o aumento do risco de morte por doenças cardíacas até a diminuição da capacidade de resolver problemas de forma criativa.
    E qual é a fórmula para deixar de contar carneirinhos? "Sugiro começar um diário em que são anotadas todas as ocorrências do dia e em quais delas o sono pode sofrer interferência", diz a coach. "Esse tipo de registro é capaz de ajudar a encontrar correlações entre pensamentos, atitudes e dificuldades para dormir bem. Assim fica mais fácil modificar os comportamentos que causam insônia."

7º passo: aproximar-se das pessoas queridas


    Existe coisa mais prazerosa do que estar ao lado dos amigos? Pois é, uma coisa tão simples quanto essa está se tornando algo raro nos dias de hoje. Afinal, na nossa agenda tão conturbada, acaba sobrando pouco tempo para os momentos de lazer. "Conviver com quem se ama faz crescer em nós o sentimento de pertença, de raiz, nos faz sentir amparadas, conectadas com o outro", afirma a psicanalista Maria Helena Saleme. Para a monja Coen, o encontro, mesmo que breve, pode se transformar num antídoto para combater a aridez cotidiana.
    Para terminar, anote aí duas lições importantes: quantidade não é sinônimo de qualidade e amigos não caem do céu. "Temos de cultivá-los, muitas vezes fazendo pequenos sacrifícios em nome do outro", diz a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association Brasil (Isma - BR).

8º passo: perdoar velhas mágoas



    Imagine um saco cheio de entulhos que carregamos para cima e para baixo. Assim são os ressentimentos, que deixam o coração pesado e envenenam a vida. Não estamos sugerindo varrê-los para debaixo do tapete. Pelo contrário. "Perdoar não significa esquecer e sim minimizar as emoções negativas que essas lembranças trazem em razão do novo entendimento que você deu a elas", afirma a coach.
    E como fazer isso? O primeiro passo, segundo a monja Cohen, é tentar buscar um entendimento com quem causou a mágoa. "Mesmo que a pessoa não esteja disposta a mudar de atitude, nós nos sentiremos melhor ao mostrar que nos aborrecemos. Quem sabe, no futuro, ela não pensará duas vezes antes de agir de maneira inapropriada", diz. O segundo, ainda de acordo com ela, é buscar compreender a imperfeição alheia: "Temos de tentar entender quais motivos levaram aquela pessoa a agir de tal forma. Muitas vezes vamos perceber no outro alguém que não sabe lidar com as próprias dificuldades e acaba ofendendo e magoando outra pessoa. Ao entender o problema, trocamos o ódio pela compaixão e tiramos um peso enorme de nosso coração".
    A psicanalista Maria Helena faz uma ressalva importante para tentar desembaraçar o emaranhado de ressentimentos: precisamos lembrar que o outro, assim como nós, também tem limites que precisam ser respeitados.

9º passo: reconhecer seu valor


    Num mundo em que a mulher é cobrada a ser bem-sucedida em todas as searas fica difícil não sentir que estamos sempre devendo algo para alguém. O maior problema desse tipo de comportamento é exigir demais de si mesma e viver em constante estado de insatisfação e baixa autoestima. "Ninguém é capaz de ser pleno querendo satisfazer as expectativas do outro. É preciso conhecer-se, entender seus pontos verdadeiramente fortes e os fracos para investir na busca pela felicidade", diz Maria Helena.
    Uma boa maneira de manter as expectativas pessoais em níveis aceitáveis é ter objetivos de vida bem definidos. Para isso, um plano de metas pode ajudar bastante. Coloque no papel aquilo que deseja para curto, médio e longo prazo e a maneira como pretende alcançar esses objetivos. Nunca se esqueça, porém, de ressaltar suas qualidades e de elogiar-se.

10º passo: manter o foco no agora


    Existe um ditado muito sábio que diz: o ontem é história, o amanhã um mistério. O hoje uma dádiva e por isso o chamamos de presente. Essa frase tão simples expressa de forma inequívoca a importância de vivermos no aqui e no agora. Afinal, na maioria das vezes estamos remexendo algo do passado ou imaginando o que está por vir. Lógico que ninguém é de ferro e consegue manter os pés no chão 100% do tempo, e a proposta nem é essa. É que quando estamos nesse movimento, corremos o risco de não perceber justamente o que existe de legal, por exemplo, no exato momento em que estamos lendo este texto.
    O mestre espiritual Eckhart Tolle, autor do livro O Poder do Agora (Sextante), afirma que dessa maneira "a jornada da vida deixará de ser uma aventura, será apenas uma necessidade obsessiva de chegar, de alcançar, de 'fazer algo'. Você também deixará de ver ou de cheirar as flores ao longo do caminho e não reconhecerá a beleza e o milagre da vida que têm lugar à sua volta quando estiver presente no agora".
    Esse vaivém no tempo pode ser resumido a uma única palavra: controle. "Quando voltamos para o passado o tempo inteiro, estamos num lugar conhecido e podemos nos lembrar dos momentos que gostamos de viver, ou imaginar que algo poderia ter sido diferente. Quando o foco recai no futuro, estamos na realidade tentando controlar o desconhecido, evitando qualquer surpresa desagradável. Nesses dois tempos, somos orientados por desejos e medos", afirma o terapeuta, instrutor de meditação zen e coordenador do Instituto de Renascimento de São Paulo Khalis Chacel.
    É lógico que esse foco não se conquista de um dia para o outro. Mas de acordo com Tolle não precisamos mudar radicalmente o que estamos fazendo, mas sim o modo como fazemos. "Tente prestar mais atenção no fazer em si do que no resultado que pretende alcançar. Ao agir com a consciência do momento presente, tudo o que você fizer ficará imbuído de uma sensação de qualidade, de cuidado e de amor, até mesmo o ato mais simples."